sábado, 7 de fevereiro de 2009

Caminho das Índias


No dia 19 de janeiro, se não me engano, a Rede Globo lançou sua nova novela das nove: "Caminho das Índias". Duas semanas depois, o folhetim já estava na boca do povo que comentava chocado as tradições indianas, como os casamentos arranjados e o hábito de venerar as vacas por serem consideradas sagradas.

Confesso que nunca estive na Índia, mas tive a oportunidade de viver na Escócia entre junho de 2004 e janeiro de 2005. Apesar da Índia ter conquistado a independência dos ingleses no fim da década de 1940 * , os dois povos ainda mantêm laços fortíssimos. Na Escócia, assim como nos outros lugares do Reino Unido que visitamos, é comum vermos indianos dos mais diversos grupos religiosos por todos os lugares. Os jovens da Grã-Bretanha temem por seus empregos, já que os indianos têm chegado por lá muito bem preparados para disputar postos de trabalho ou vagas nas melhores instituições universitárias do país. Assim como mostra na novela, os call centers ingleses são mesmo na Índia e era comum ouvir colegas escoceses comentando que quando ligavam para um 0800 solicitando alguma informação sabiam que estavam sendo atendidos em algum ponto distante na Índia.

Durante o tempo que passei no velho mundo tive a oportunidade de ficar amiga de inúmeras indianas, entre elas, a Dhanya. Agora já não me lembro mais de que cidade da Índia ela era, mas a conheci no hotel em que morei logo que chegamos em Glasgow. Dhanya era simpática, alegre e comunicativa. Seu marido trabalhava em um navio e eles estavam de mudança para a Escócia. Na ocasião em que a conheci ela estava no país cuidando dos preparativos para a chegada do marido e sua filha de três anos.

Me lembro que era verão e o sol se punha lá pelas onze da noite e passei várias tardes ensolaradas mas frias com a Dhanya. Juntas íamos aos parques da cidade, lojas ou ficávamos à toa conversando no hotel. Durante essas semanas ela me mostrou uma cultura que se outra pessoa me contasse ou se eu visse em um filme não acreditaria, assim como acho que a deixei impressionada ao contar que aqui no Brasil dois jovens podem sim se conhecer em uma danceteria, se beijarem nesse primeiro encontro e acabarem casando como aconteceu comigo e o Daniel.

Dhanya casou-se sem conhecer seu marido. Ou melhor, o conheceu quando tudo já estava arranjado entre as famílias. Como se fosse a coisa mais natural do mundo (para ela de fato era!), ela me contou como escondida na cozinha pediu para que sua irmã visse o pretendente e voltasse para contar suas primeiras impressões. Assim como ela se divertiu com as minhas aventuras, eu me encantei ao descobrir que apesar do inglês e do hindi que era falado pela duas famílias, cada uma também falava outros dialetos e me espantei quando ele perguntou se minha família e a do Daniel falavam o mesmo idioma.

Os diversos dialetos e as relações amorosas são só dois aspectos das diferenças entre nós brasileiros e os indianos. Nessa temporada escocesa também conhecemos outros indianos que ao narrarem seu dia-a-dia em sua terra natal nos levaram a lugares inimagináveis e cheios de peculiaridades que nossos preconceitos impediam de enxergar sem julgar.

* Para quem se interessar pelo assunto eu recomendo o livro "Paixão Índia", escrito por Javier Moro e lançado no Brasil pela Editora Planeta. O livro na verdade narra a história de amor entre uma dançarina espanhola e um marajá indiano, mas que tem como pano de fundo inúmeros acontecimentos interessantes acontecidos na Índia dominada pelos ingleses. Também tem um filme de Bollywood, "Bride and Prejudice", que é super divertido e mostra a Índia colorida e musical (http://tinyurl.com/brideandprejudice)

Em tempos de crise...


Algumas dicas publicadas no caderno Empregos do jornal O Estado de S.Paulo de domingo 1º de fevereiro de 2009.

Há umas duas semanas meu marido Daniel precisou ir a uma reunião de planejamento em um sábado no escritório. Ao contrário de fazer o bico que sempre faço quando esse tipo de coisa acontece, o que diga-se de passagem é meio praxe nos nossos fins de semana, eu adotei a postura de esposa madura e dei todo o suporte para que ele fosse para a empresa e ainda desse sugestões criativas para que sua área conseguisse contornar este momento complicado pelo qual a maioria das companhias estão passando.

Pouco depois da hora do almoço, toca meu telefone e é ele do outro lado da linha parecendo preocupado. Segundo ele, algumas pessoas que ocupam cargos superiores disseram que ele teria que optar entre mudar de área ou tirar uma licença não remunerada. Na hora, fiquei revoltada e apavorada. Revoltada porque ele é inteligente, competente e honesto. Não me conformava em como podiam propor aquela indecência, porque não tem outro nome, a uma pessoa que tinha entrado na companhia como estagiário e até pouco tempo atrás era "disputado a tapa" para integrar as equipes dos mais variados projetos. Apavorada porque faltavam menos de três meses para a chegada do pequeno Otávio. "E o plano de saúde?", foi minha primeira pergunta."Como assim licença não remunerada? É alguma piada?", continuei.

Pela primeira vez me vi como uma mendiga na rua, pensei na nossa casa, nos nossos luxos e em tudo de bom que o dinheiro tinha trazido para nós até aquele momento. Na hora liguei para o meu pai com um nó na garganta e, aos poucos, com a serenidade de quem tem vinte anos de carreira a mais do que nós e a experiência de quem viveu mais, ele foi nos acalmando e nos mostrando o lado bom de tudo aquilo.

O Daniel trabalha em uma empresa multinacional de consultoria há dez e tem dedicado umas quatorze horas por dia a essa companhia. Há tempos a gente não estava feliz com o ritmo de trabalho, nem com o estresse diário ao qual ele estava submetido, mas nunca tivemos coragem de pensar em algo mais drástico como sair ele sair de lá.

Com tudo isso tiramos várias lições e algumas delas vale a pena repartir, pois em tempos de crise tudo pode acontecer, né? Pode parecer básico, mas aprendemos que temos que poupar, literalmente a qualquer custo, para poder contar com uma reserva no caso de uma demissão. Também vimos que nunca devemos nos acomodar a uma determinada situação, seja ela qual for. Então, se recebermos uma proposta de emprego temos sim que ver do que se trata. Terceira lição, mas não menos importante, é que ninguém é insubstituível.

Já com relação aos aspectos mais práticos do desemprego, recorremos aos inúmeros profissionais de RH que andam dando algumas dicas sobre o assunto em diversos meios de comunicação, como a matéria publicada no site IT Careers http://tinyurl.com/dicasitcareers. Em um primeiro momento essas dicas até parecem banais, mas por experiência própria acho que elas podem ser um ponto de partida na hora que o desemprego chegar mais perto do que gostaríamos!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Enfim, cegonha a vista!


Para ser meu primeiro post escolhi um assunto que mais cedo ou mais tarde vai fazer parte da vida da maioria dos jovens casais: o primeiro bebê! Casei em 2003 e depois de quatro anos, uma temporada vivendo na Escócia, muitas viagens, apartamento finalizado e inúmeros sonhos realizados era chegada a hora de ter um filho!

Parei de tomar a pílula em julho de 2007 e tinha a certeza de que engravidaria mais rápido do que eu imaginava. O tempo foi passando e cada vez mais parecia que eu via barriga de grávida por todos os lados, menos na frente do espelho. Com todas as futuras mães que eu conversava ouvia a mesma frase: "Parei de tomar a pílula e um mês depois já estava grávida!".

Isso me deixava meio frustrada, mas por outro lado conheci algumas mulheres na mesma situação que eu e, aos poucos, fui me tranquilizando certa de que a minha vez ia chegar. Mas até lá passei sim por aquelas cenas de filme de contar os dias férteis no calendário, compramos testes de fertilidade e muitos outros testes de gravidez que deram negativo.

Um pouco mais de um ano depois de começar a tentar, no dia 10 de agosto de 2008, Dia dos Pais, decidi fazer um teste de farmácia e deu positivo. Mesmo querendo muito ser mãe, foi um susto, eu balançava o teste como se fosse um termômetro para ver se ele não apagava. Fiz ainda mais um teste de farmácia enquanto o exame do laboratório não ficava pronto.

Na verdade, estou contando toda esta história primeiro para dizer que a gravidez pode sim demorar para chegar, às vezes até mais do que gostaríamos, mas que encarar essa demora com bom humor e sem ansiedade podem tornar essa espera bem mais gostosa e divertida. Ok, quando falavam isso para mim eu também não acreditava!

Segundo para dar a dica de um teste de ovulação que foi "tiro e queda" para eu ficar grávida e olha que eu precisei usá-lo apenas uma vez antes de engravidar. O teste se chama Ovatel (http://www.elaonline.com.br/), da Mantecorp. Diferente dos outros testes que medem o período fértil pela urina, esse detecta a ovulação através da saliva e pode ser usado durante muitos meses, bastando lavá-lo após cada uso com cuidado para não riscar a lente do microscópio.

Quando fui comprar achei o preço um pouco salgado, mas pensei nele como um investimento. Como fiquei grávida no mesmo mês que o usei pela primeira vez, pretendo utilizá-lo para encomendar os próximos herdeiros sem tanta demora já que ficar grávida é realmente uma delícia.
Boa sorte!